sexta-feira, 20 de março de 2009

O Condenado


"Alma feita somente de granito,

Condenada a sofrer cruel tortura
Pela rua sombria d'amargura
- Ei-lo que passa - réprobo maldito.

Olhar ao chão cravado e sempre fito,
Parece contemplar a sepultura
Das suas ilusões que a desventura
Desfez em pó no hórrido delito.

E, à cruz da expiação subindo mudo,
A vida a lhe fugir já sente prestes
Quando ao golpe do algoz, calou-se tudo.

O mundo é um sepulcro de tristeza.
Ali, por entre matas de ciprestes,
Folga a justiça e geme a natureza..."


Bocage




O cipreste é a árvore que simboliza a união entre o céu e a Terra. Tanto seu tronco quanto suas raízes se levantam até a morada dos deuses (ou reino das idéias) ou descem profundamente até o centro da Terra – antigamente chamado de ínferos.

O cipreste é considerado árvore sagrada entre numerosos povos, graças à sua longevidade e, graças a seu verdor persistente, “árvore da vida”.

Entre os gregos e romanos está relacionada às divindades do inferno e considerada como árvore das regiões subterrâneas. Ligada ao culto de Hades deus dos infernos, ele é um dos atributos desse deus.

Símbolo da morte e da alma, sobretudo por ser uma árvore perene – sempre verde e perfumada, de madeira forte e inatacável por cupins como o cedro, tomou um significado fúnebre, associado à idéia de morte. Por isso é escolhida para adornar cemitérios.

O cipreste também evoca a imortalidade e a ressurreição. Na China Antiga o consumo das sementes do cipreste era resultado da procura da longevidade porque achavam que eram ricas em substâncias yang (o lado masculino do Tao).

No Japão, o cipreste é uma das madeiras mais usadas em ritos como também na fabricação de muitos objetos sagrados como os cetros dos sacerdotes e também na construção dos templos, por simbolizar a incorruptibilidade e pureza. O fogo ritual é aceso pela fricção de dois pedaços de seus galhos.

Na heráldica (brazões de família) simboliza nobres e elevados sentimentos, como a idéia de incorruptibilidade.

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